Deal Pill #4 · Abril de 2026
McCormick adquire divisão Food da Unilever
- Data
- Abril de 2026
- Setor
- Food
- Tipo
- Aquisição
- Valor
- US$ 44,8 bi
- Geografia
- EUA · Reino Unido
A Unilever e McCormick anunciaram a combinação de seus negócios, com a divisão Food da Unilever se integrando ao grupo da McCormick, num deal de US$ 44,8 bilhões. A união dos negócios visa um crescimento mais sustentável e acelerado com sinergias de custo esperadas de US$ 600 milhões anualmente. Com essa separação da divisão Food da Unilever, a companhia segue seu plano de focar a operação em Home & Personal Care, que se iniciou com a venda de suas operações de sorvetes, movimento estimulado pelo atual CEO, Fernando Fernandez.
Com informações da Unilever.
O deal em números
3,6x
Múltiplo EV/Sales.
13,8x
Múltiplo EV/EBITDA.
US$ 15,7 bi
Parte à vista do pagamento.
55,1%
Share que acionistas da Unilever terão das empresas combinadas.
Sobre a McCormick
Líder Global na fabricação e comercialização de especiarias, temperos, condimentos e aromas. A empresa já possui mais de 130 anos de história, com marcas como Frank’s RedHot e Mostarda French’s.
US$ 7,1 bi
Faturamento 2025.
Sobre a Unilever
Uma das maiores empresas de Food, Home & Personal Care do mundo, com grandes marcas conhecidas no Brasil, como: Omo, Rexona, Dove, Kibon, Knorr, Hellmann’s, TRESemmé, dentre outras.
US$ 50,5 bi
Faturamento 2025.
Análise da Merak sobre a transação
- A transação segue o plano da Unilever de se desfazer de ativos que não estejam alinhados com a tese principal de atuação do grupo: Home & Personal Care. Esse movimento vem sendo objetivo da Unilever por conta das complexidades atreladas à operação de diversos segmentos não core.
- McCormick, que já atua com produtos que fazem parte do cotidiano das pessoas, passa a integrar marcas com forte presença no dia a dia dos consumidores, como: Knorr e Hellmann’s, que são responsáveis por 70% da receita da divisão food da Unilever. Para a McCormick, em uma única transação, a empresa triplica seu faturamento, se posicionando como líder incontestável no setor, acelerando seus planos e presença geográfica em décadas.
- Destravamento de Valor: A divisão Food da Unilever apresentava crescimento tímido (aprox. 3% ao ano), além de margens mais comprimidas do que sua frente de HPC, que possui uma capacidade maior de “premiumização”. Com a transação, a Unilever passa a focar 100% em HPC, que naturalmente apresenta múltiplos mais atrativos, como demonstram comparativos listados: L’Oréal e Beiersdorf, com múltiplos de 18x e 25x EBITDA, respectivamente.
- O que tornou esse deal especial? As missões das empresas se encontram. Unilever querendo desinvestir da divisão Food enquanto a McCormick quer crescer exatamente nesse segmento.
O que não fica óbvio no deal?
- A Unilever excluiu da transação suas operações na Índia, sendo um dos mercados emergentes mais promissores em FMCG. A empresa possui a Hindustan Unilever, que negocia com múltiplo de 31x EBITDA, muito acima do múltiplo alcançado no deal, sendo um ativo importante para a Unilever manter no Portfólio, além de evitar embaraços regulatórios do mercado indiano.
- A estrutura de capital do deal é ao mesmo tempo arriscada e brilhante. Os acionistas da McCormick passarão de 100% de share, para apenas 35%. Porém, essa estrutura de deal permite a conservação de caixa da companhia, ao mesmo tempo em que triplica seu tamanho. Já do lado da Unilever, a empresa retém 9,9% de participação na companhia, possibilitando a captação de valor com o upside da união das empresas, que ao longo de décadas foi construída pela Unilever.
- Essa participação remanescente da Unilever garante assentos no conselho, para auxiliar a guiar as trajetórias do novo grupo, com lock-up mínimo de 1 ano, mas já com uma saída planejada. A Unilever se posiciona que não pretende manter o ativo durante longos períodos.
- A dificuldade de financiar os US$ 15,7 bilhões à vista vai significar um endividamento da nova companhia, o que pode corroer o fluxo de caixa da companhia.
- Integração: Como já foi observado em diversos deals desse porte, a integração é sempre um ponto crítico, uma vez que a cultura de uma empresa pode não ser similar à outra. Dessa forma, essa etapa pode acabar levando muito mais tempo que o esperado, dificultando a captura das sinergias, como foi visto na fusão de Soma e Arezzo aqui no Brasil.








