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Deal Pill #20 · Julho de 2026

  • Jusfy
  • Quona
  • Thomson Reuters

Jusfy capta Série A com Quona e Thomson Reuters

Data
Julho de 2026
Setor
Legaltech
Tipo
Série A
Valor
R$ 80 mi
Geografia
Brasil · EUA

A Jusfy anunciou a Série A com o objetivo declarado de acelerar o Jusfy Pay, sua vertical de serviços financeiros para advogados, lançada no início de 2026. Rafael Bagolin, CEO e fundador da Jusfy, resumiu o diferencial da empresa por trás da tese do aporte: “Nosso maior diferencial é conhecer profundamente o advogado brasileiro. Quanto mais profissionais utilizam nossa plataforma, mais inteligência desenvolvemos para criar soluções que geram eficiência, produtividade e novas oportunidades para esse mercado.”

Com informações do Pipeline.

O deal em números

  • 350 milhões

    Processos judiciais na base da Jusfy.

  • 118%

    Crescimento do faturamento da Jusfy (2025).

  • R$ 180 mi

    Valuation na rodada pré-série A (2025).

Sobre a Jusfy

Fundada em 2021, se posiciona como “sistema operacional de IA para a advocacia brasileira”. A empresa construiu uma base proprietária com informações de centenas de milhões de processos judiciais.

+60 mil

Advogados atendidos.

Sobre os Investidores

A americana Quona Capital é uma gestora de venture capital especializada em fintechs de mercados emergentes. Já a Thomson Reuters Ventures, CVC, foca em legaltechs, tax tech e compliance. Ambas são o destaque da captação.

US$ 332 mi

Fundo III da Quona.

A trajetória das empresas: Jusfy, Quona e Thomson Reuters

  • A Jusfy: Fundada em 2021, em São Paulo, a startup iniciou como uma calculadora para advogados, mas logo começou a incorporar novas funcionalidades no sistema, sempre voltadas à rotina jurídica. Captou uma rodada seed de R$ 7 milhões em 2022, liderada pela SaaSholic, com Norte Ventures e Harvard Angels. Em março de 2025, levantou uma pré-Série A liderada pela Maya Capital, com SaaSholic, Norte Ventures, FJ Labs e Legal Tech Fund, atingindo valuation de R$ 180 milhões. Poucos meses depois, a empresa reforçou sua liderança com a chegada de Renato Sacramento (ex-Hotmart) como CPTO e Emanuela Araujo (ex-Sami Saúde) como CFO, elevando a base de clientes de 27 mil para 47 mil. Em 2026, lançou o Jusfy Pay, sua vertical de serviços financeiros, chegando à Série A.
  • A Thomson Reuters Ventures: Criada em 2021, é o braço de Corporate Venture Capital da Thomson Reuters, focado em legaltech, tax tech, fintech e compliance. Além dos investimentos minoritários, contém cerca de 40 startups no portfólio global. A Thomson Reuters também tem histórico de aquisições diretas no espaço de IA jurídica, como Casetext, em 2025, e Safe Sign Technologies, em 2026, reforçando uma estratégia declarada de “build, partner and buy”. O aporte na Jusfy marca a estreia da empresa em uma startup brasileira.
  • A Quona: Fundada em 2015, a Quona Capital é uma gestora americana de venture capital especializada em fintechs, majoritariamente em mercados emergentes, de diferentes continentes, como América do Sul, África e Ásia. A gestora possui, atualmente, mais de 70 empresas ativas no portfólio e foi responsável pela geração de 24 mil empregos a partir de empresas do portfólio. A empresa tem como fundamento o apoio a startups que enfrentam barreiras econômicas de desenvolvimento em regiões deficitárias.
  • Presente no Brasil desde 2014, fez seu primeiro investimento no país na Creditas. Desde então, construiu um portfólio robusto no setor, com: Neon, Franq, BizCapital, Contabilizei, Monkey, Kanastra, Kamino, e hoje aloca cerca de 25% dos seus US$ 800 milhões sob gestão em fintechs brasileiras, com o Fundo III da casa somando US$ 332 milhões captados em 2022.

Análise da Merak sobre a transação

  • Por que a rodada faz sentido? A tese de Jusfy Pay segue o playbook clássico de embedded finance em SaaS verticais, como Toast (restaurantes) e Shopify (e-commerce). A lógica é dominar o fluxo de trabalho diário do advogado para depois monetizar via serviços financeiros, com CAC baixo, já que a base está capturada.
  • O ativo real é o dado, não o software: A Jusfy construiu uma base proprietária de processos judiciais e um histórico de uso (consultas, cálculos, interações com JusGPT) que funciona como substituto de credit scoring tradicional, resolvendo exatamente o problema que a própria empresa identifica: bancos não conseguem precificar risco de advogados porque não enxergam o pipeline de casos, problema esse que Jusfy enxerga.
  • A entrada da Thomson Reuters: O aporte é especificamente relevante quando se leva em conta que é a primeira aposta da Thomson Reuters em uma startup brasileira, sinalizando interesse da gigante global de informação jurídica/dados no mercado local, e abrindo espaço para cross-sell, distribuição ou tecnologia entre as duas companhias no médio prazo.

O que não fica óbvio no deal?

  • Futuro de M&A: Com a constante ampliação do portfólio de ferramentas oferecidas pela Jusfy e, agora, com a Série A, o próximo movimento natural da empresa é a aquisição de novas empresas que agreguem a esse portfólio voltado para o meio jurídico. Com a integração de empresas que forneçam essas ferramentas, a Jusfy cria um ecossistema de “All-in-one”, oferecendo todos os serviços necessários para o advogado que utiliza a plataforma.
  • O caminho a ser seguido: Dentre os cases de legaltechs no Brasil, é possível encontrar paralelos entre a Jusfy e empresas como a Jusbrasil, que captou rodadas com Private Equity, e hoje possui 80% dos advogados brasileiros cadastrados e é uma das plataformas de bases legais mais relevantes do mundo. Dentro desta mesma lógica, a Jusfy pode desenvolver uma base de serviços cada vez mais diversificada, fortalecendo sua relação com os clientes até o ponto em que utilizar a plataforma se torne uma prática imprescindível da rotina do advogado brasileiro.