Deal Pill #11 · Maio de 2026
DGF e BridgeOne aportam na Memed, controlada pelo DNA Capital
- Data
- Maio de 2026
- Setor
- Healthtech
- Tipo
- Private Equity
- Valor
- R$ 80 mi
- Geografia
- Brasil
A Memed, maior plataforma de prescrição digital do Brasil, anunciou captação de R$ 80 milhões em rodada 100% primária, coliderada pela DGF Investimentos e BridgeOne, com participação da DNA Capital, já controladora da companhia desde 2021. A operação ocorre um ano após a empresa atingir o breakeven. Os recursos serão inteiramente direcionados a engenharia, produto e ciência de dados, com foco em IA aplicada à prática clínica. A estrutura societária foi preservada, com o DNA Capital permanecendo como controlador da companhia.
Com informações do Startups.
O deal em números
R$ 300 mi
Aporte da DNA Capital em 2021.
150.000
Médicos ativos por mês.
100 mi
Prescrições processadas por ano.
R$ 100 mi
Receita projetada para 2026.
Sobre os Investidores
A DGF é uma das gestoras de VC mais antigas do Brasil, com cases como RD Station (35x). A BridgeOne é especialista em B2B tech com liderança de nicho. A DNA Capital, controladora da Memed, tem tese exclusiva em saúde.
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Investimentos realizados em conjunto (DGF + BridgeOne).
Sobre a Memed
A Memed surge para digitalizar a prescrição médica no Brasil gratuitamente. A empresa pivotou para um modelo de retail media para a indústria farmacêutica, atingindo o breakeven em junho de 2025.
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Indústrias farmacêuticas que usam Memed.
A trajetória das empresas: Memed e DNA Capital
- A Memed: Fundada em 2012 em Avaré (SP) por quatro sócios, nasceu com a proposta de digitalizar, gratuitamente, a prescrição médica no Brasil para todo o setor.
- O foco em crescimento antes da monetização garantiu a liderança com 60–70% do mercado, mas gerou mais de uma década de caixa negativo. Com captações que somaram ~R$ 33 milhões sem levar a empresa ao lucro. Em 2021, a DNA Capital comprou 100% da Memed por R$ 300 milhões, ao descobrir um canal de mídia privilegiado para farmacêuticas no momento da receita.
- Em junho de 2025, atingiu o breakeven pela primeira vez em 13 anos, a virada que abre caminho para aceleração com IA.
- A DNA Capital: Fundada em 2013, é um fundo de VC especializado em saúde. Atua com portfólio concentrado e forte envolvimento dos sócios.
- Após o buyout da Memed, anunciou em 2026 o primeiro fechamento de R$ 300 milhões do fundo DNA VC II. O aporte conta com investidores de peso como BNDES, BTG e a família Bueno, validando sua tese institucional. A Memed é o pilar central da rede de healthtechs construída pelo fundo, que inclui marcas relevantes como Beep Saúde, Sanar e Cíngulo.
Análise da Merak sobre a transação
- O modelo de dois lados no seu melhor momento: O segredo da Memed é a mesma lógica do Google e do Facebook: quem usa o produto não paga, quem quer acessar o usuário paga, e paga bem. Com 150.000 médicos ativos no ponto exato da decisão clínica, a plataforma se tornou o canal de mídia mais eficiente que a indústria farmacêutica pode comprar. O Brasil gasta bilhões anuais em representantes médicos presenciais; a Memed é a versão digital, escalável e mensurável desse gasto, com a vantagem de ser insubstituível para o médico no momento da prescrição.
- A ANVISA como força de vendas involuntária: A ampliação da obrigatoriedade de rastreabilidade de medicamentos pela ANVISA, é um catalisador externo que força a digitalização de receituários. Cada médico que precisa emitir receita digital de Ozempic ou Wegovy é um potencial usuário cativo da Memed. A empresa não precisa convencer, recebe demanda compulsória gerada pela regulação. E fez isso ativamente: a Memed participou da construção desse marco regulatório junto à ANVISA, garantindo que a solução técnica do mercado fosse compatível com a sua infraestrutura.
- Investidores de Software: A DNA Capital escolheu DGF e BridgeOne não por expertise em saúde, mas por expertise em escalar software B2B. Isso revela o diagnóstico correto do próximo desafio da Memed, não é mais um problema de healthtech, é um problema de engenharia de produto e distribuição de software. Ter o time que escalou RD Station (35x) e os especialistas em moat de liderança de nicho B2B é o plano de ação exato para a fase atual. Qualquer outro fundo de saúde teria sido a escolha errada.
O que não fica óbvio no deal?
- Os fundos são conectados por ex-funcionários da DGF, o que não é uma coincidência. Os três investidores da rodada compartilham não apenas tese, mas histórico pessoal de trabalho conjunto na mesma casa. Isso muda a dinâmica do deal: due diligence entre pessoas que já trabalharam juntas é mais rápida, a confiança é pré-existente e os conflitos de governança são menos prováveis. É também o segundo co-investimento de DGF e BridgeOne em menos de um ano, tendo a InHire em agosto de 2025.
- Disputa pelo deal: foi revelado que seis fundos demonstraram interesse antes de DGF e BridgeOne serem escolhidos. Essa é uma inversão de poder clássica e raramente discutida: normalmente as empresas convencem os fundos. Quando um ativo com breakeven, 100 milhões de prescrições e modelo de receita de alta margem vai ao mercado, são os fundos que competem pelo cap table. Essa dinâmica de demanda provavelmente beneficiou o valuation e a seleção final foi feita por critério estratégico de expertise, não por oferta mais alta.
- Crescimento iminente: A empresa processa 100 milhões de prescrições por ano, enquanto o Brasil emite cerca de 1 bilhão. Isso significa que o crescimento da Memed não depende de nenhuma disrupção tecnológica, depende apenas da digitalização em curso, que a regulação está acelerando compulsoriamente. O upside de expansão orgânica é subvalorizado nas análises porque é simples demais: basta o Brasil continuar no caminho de digitalização atual, e a Memed, que já tem 70% do mercado digital, captura proporcionalmente.






